Me & My Head High.
O Blues da Mulher Aranha
Fui numa festa estranha
O bar me chamou para beber
Conheci uma mina piranha
Foi difícil me convencer
Mas ela tinha tantos olhos
E braços em volta de mim
Era a mulher aranha
Levou meu drink e nem beber
Pude eu com tamanha
Desvergonha
Me leva pra pista e se assanha
Dança até o chão, que façanha
Me deixou com as calças na mão
No final chupando o dedão.
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Quase Sem Querer do Legião é quase um clássico para quem tá sofrendo por dúvidas do amor e precisando de coragem para se entregar! Adoro essa música…
O Paraiso Nordico
O PARAÍSO NÓRDICO
O além dentro do paganismo nórdico, asatru ou odinismo possui a forma de paraíso e é conhecido por muitos nomes como Asgard, a Terra dos Aesir, ou Valhalla, o Castelo dos Heróis. De fato, a vida após a morte é um fato consumado nas crenças pagãs. A existência de um país no além, repleto de delícias, prazeres, paz e beleza, onde a alma sobrevive à morte física, e encontra seus deuses e ancestrais, é discutida desde o renascimento da velha religião.
Existem muitos nomes e lendas para o além, sobre sua localização, sobre suas leis cósmicas, sobre quem parte e quem pode voltar, mas nada é preciso. O que era comum nas crenças tribais sobre esse paraíso é que seria um local de descanso, onde há paz e beleza, onde os deuses antigos moram e os ancestrais se reúnem. Dizem que ele estava ao alto, no norte, mas isso é muito impreciso. A realidade é que ele está em todos os lugares, no invisível, possivelmente numa “esfera” de compreensão mais elevada que a mundana.
O reino espiritual é composto de muitas moradas celestes, castelos, vales, florestas, mares. Nosso mundo vivo, Midgard, é uma parte das dimensões espirituais e localidades táteis que estão do longo e abaixo da árvore do mundo, Yggdrasil, o universo pagão. Yggdrasil é feita de uma geografia cósmica, elevada, pouco compreendida. Os ocultistas dizem que a árvore nasceu do coração falecido do gigante Ymir, mas não há provas disso. O que sabemos é Yggdrasil se ramifica entre os mundos, pois suas raízes são longas e profundas, alcançando o mundo do meio, o paraíso e o submundo.
Mas o que parte afinal para o além? A consciência sobrevive? O corpo se decompõe? Acreditamos que nossa alma e corpo é composto por várias partes ou essências, com nomes estranhos. Existe a hamr, que é a forma espiritual que assumimos, sendo ela um reflexo-memória do que é ou fora o corpo. Têm a fylgja que é a unidade bestial inseparável da alma, uma espécie de acompanhante e guardião, que em geral assume formas animais, como totens, em viagens para o além e execuções de magia, ou formas élficas e femininas, em aparições e sonhos. É a hamr e a fylgja que sobrevivem à morte, desafiando os limites do tempo e do espaço, para além do corpo. Mas isso não se limita à morte. Essas partes espirituais podem se desprender do corpo mesmo em vida, durante jornadas mágicas. A fylfja é responsável por acompanhar e guiar todos os indivíduos, por isso é ela quem anuncia a morte e carrega a hamr para o além, numa atividade semelhante às walkyrjor. Os nórdicos antigos acreditavam que a fylgja tinha uma relação com a placenta materna e que o animal de poder se agregava à criança, trazendo uma alma e vida para esta, no momento de seu nascimento. Todo clã, família, possui uma fylgja poderosa, chamada de Aettarfylgja, uma espécie de ancestral mágico, que assume várias formas diferentes de si mesma, conforme indivíduos nascem e morrem. Já a hamr é individual, compartilhando com parentes e ancestrais apenas alguns de seus atributos e subdivisões, como o orthanc, que é a herança de destinos, um patrimônio passado de geração à geração através do sangue. O destino de cada ser de uma família é chamado de wyrd ou fjord e acredita-se que possuía a forma de um fio e que podia ser tecido, costurado e dado nós pelas três fiandeiras que vivem em Yggdrasil, unindo pessoas, selando acordos, trazendo ou afastando o destino. O orthanc seria a soma da união desses wyrds individuais de cada ser, ele é o grande destino que se herda dos ancestrais, das quais não é possível fugir, ao contrário do wyrd, que está eternamente em mutação, como se as nornor (Urd, o destino e o passado, Verdandi, a verdade e o presente, e Skuld, a entropia) brincassem com nossas vidas.
Quando o corpo padece, aos poucos a hamr se decompõe também, libertando-se de seu suporte corpóreo. Quando o cadáver termina seu processo de morte a alma se desprende, a fylgja vêm e leva consigo a hamr para o paraíso, onde os ancestrais aguardam a chegada da alma, levando-a para seu repouso de paz, onde poderá se restaurar e celebrar com seus iguais em alegria. O cadáver desce ao submundo, juntando-se à horda de Hel, a morte e o mortuário, onde aquilo que será destruído, esquecido ou perecido irá permanecer eternamente. Os ancestrais se encarregam da “vivência” da alma no além, mas sua morada será junto ao seu deus pessoal, ao que os pagãos chamam de patrono.
Existia também hugr e munr, que eram almas coletivas, do mundo, conectadas a todos os indivíduos. O primeiro era o pensamento consciente e o segundo era a memória do mundo. Por estarem conectados a todos os seres, os homens também tinham seus próprios hugr e munr, seus pensamentos e memórias, o primeiro se apresentava através de situações reflexivas, como respirar, o bater do coração, espirros, bocejos, coceiras, e o segundo era onde tudo ficava armazenado, por isso mesmo todos os seres tinham de alguma forma acesso à informação do passado do mundo desde que conhecessem como os acessar esses segredos, através de transes, sonhos e invocações.
Entre os nórdicos pagãos a morte jamais fora sinônimo de fim ou sofrimento. Era meramente um estágio de transição para os ancestrais, assumindo novos poderes e funções no universo, como a proteção do clã. Também havia a crença do renascimento, onde as almas poderiam retornar ao sangue, constituindo um novo corpo e uma nova forma. Ao perpetuar um nome do passado através da linhagem de sangue significava ressucitar um ancestral, um das permissões do orthanc ou ódal.
O paraíso e o além não possuíam fronteiras e limitações, pois todos os mundos se intercalavam e sobrepunham uns aos outros na cosmologia de Yggdrasil. Assim, era permitido aos mortos transitarem entre os vivos e vice-versa. Entretanto, enfrentar uma jornada ao além era considerado algo perigoso, obscuro, e perturbar o descanso de um defunto também era tido como blasfêmia, igualmente insalubre.
A separação entre mundo dos mortos e mundo dos vivos era algo tardia, estrangeiro. Foi introduzido no imaginário germânico no final da era viking, pelos cristãos. O mesmo acontece com a noção de inferno, que era inexistente até então. Hel não deveria receber os mortos nem propor sofrimento às almas, pois essa não era sua função cósmica. Sua ocupação era manter o submundo fechado, onde as coisas que se foram pudessem perecer em paz, para que a natureza continue seus ciclos. A noção de sofrimento e infernalismo maniqueísta não é pagã. Deve ser abolida das nossas mentes. São grilhões do cristianismo que não conferem como nossa cosmologia espiritual.
Não há céu ou inferno. Há o paraíso, a promessa de paz para todos quando a morte chegar. O que padece é o corpo no submundo. A alma se eleva. Não há a noção de pecado, logo inexiste purgação ou danação. Para os pagãos, a própria vida em si pode ser aterrorizante. Mais assustadora é a noção de destino, herdado, um vínculo do passado que irá direcionar os passos, vitórias e perdas dos indivíduos. Dele não há fuga, pois o destino é inexorável. Aquilo de virtuoso que fazemos se perpetua para que recebamos bons orlogs (as parcelas imediatas e a longo prazo de conseqüências de nossas ações no mundo, quando estas cruzam com o destino de outras pessoas) e os passemos a nossos descentes e parentes. O mesmo acontece com nossas ações prejudiciais, que permanecessem maculadas no nosso destino como maldições, maus orlogs. A soma dos orlogs bons e ruins de uma pessoa é seu wyrd, seu destino. O longo fio do wyrd através das gerações, a soma dos destinos, é o orthanc. O destino é uma estrada que corre ao contrário, ela vai para trás se observada, e não importa o quanto caminhamos para frente, não há fuga, pois sua direção já foi traçada por nossos antepassados, só nos resta tentar remediar ou conquistar o que nos é de direito nesse mundo.
O futuro é desconhecido. Ele é chamado de förlog. Apenas sabemos sua direção, mas nunca seu resultado. As três fiandeiras costuram incessantemente seus fios e mudam de vontade como velhas loucas. Assim como os deuses, as três fiandeiras dos destinos têm o poder do Auna, que são presentes do destino, concessões que podem alterar as máculas das heranças e transformar as maldições em bênçãos. Elas também são responsáveis por trazer os dons e talentos para as crianças quando elas nascem. Todas as crianças têm direito a herdar os talentos de seus parentes. Isso possui o nome de Gaefa.
Assim, compreendido mais ou menos como funciona a articulação do mundo dos vivos e dos mortos, como se compõe as principais essências da alma e do corpo, e também como se dá o processo de destinação individual e familiar, resta-nos entender o que é renascimento.
Renascimento não é reencarnação. A alma não se recupera, nem parte novamente para uma jornada de vida onde deverá receber aprendizado numa escala de evolução espiritual.
Aliás, evolução espiritual inexiste no universo pagão. Ela está ligada intimamente ao conceito de pecado original e imperfeição. No paganismo nórdico, somos perfeitos porque somos à imagem dos deuses. Somos perfeitos porque nossa existência é singular e é capaz de executar tudo aquilo a que se propõe, nascer, viver, morrer, acertar, errar, aprender, amar e ser feliz. Os três deuses progenitores dos seres humanos nos fizeram como éramos para ser, ou seja, corpo de calor, mente pensante e inspiração.
Logo, renascer, significa se misturar novamente ao mundo dos vivos, perder a memória espiritual passada, deixar para trás a existência coletiva e penetrar em outra individual. Aquele que morre deixa de existir para sempre no mundo dos vivos, exceto se seu nome for perpetuado através do sangue. Caso contrário, sua alma imortal irá para o paraíso, onde, quem sabe, poderá um dia abdicar novamente de sua existência efêmera, se desapegar da forma e da memória, e se transformar num novo ser, renascido. Para nós, odinistas e asatruares, é estranha a concepção de regressão, pois nossas existências são individuais, únicas e finitas pelo corpo, mas infinitas pelo nome e pela alma. A memória espiritual que temos acessa não é nossa e nem nunca fui, ela é do sangue, ela é a memória do passado dos ancestrais e seus parentes, ela é o orthanc quando se deixa visualizar.
Nosso corpo se desfaz e caminha para o submundo, para isso não há volta e por isso nossa existência é finita e individual. Mas o nome e a alma criam vínculos com a alma do mundo, são imortais, mas podem se desfazer no esquecimento ou no desapego, para que possam mais uma vez se deliciar com os prazeres do mundo do meio se assim desejar. Não é uma obrigação cósmica, é quase um hedonismo espiritual o ato do renascimento. O mundo do meio, o dos vivos, é igualmente prazeroso desde que saiba ser aproveitado através das virtudes.
Mas o que são as moradas divinas? Onde é o paraíso? È em Asgard ou no Valhalla? A resposta certa não existe, é confuso. O paraíso é o além, é o descanso eterno das almas, junto aos seus deuses de fé. Ou seja, é Asgard e o Valhalla. É Asgard porque é o país dos deuses. Pode ser o Valhalla, a morada dos heróis de Odin, mas também pode ser qualquer um dos outros castelos divinos dos demais deuses. Pode ser a morada de Thor, Freyr, Njordr, Freya, etc.
Dizem que apenas os heróis mortos em batalha iriam para o Valhalla, mas esta é uma lenda extremamente imprecisa. Já foram encontrados relatos de que mulheres, bruxos, animais e escravos sacrificados que também iriam para o Valhalla. Além disso, os nobres e descendentes de Odin também iam para lá quando morriam. E isso não tinha muito haver com a guerra. O que entendemos é que prevalece o conceito de união da alma com seu deus patrono. Ou seja, se somos devotos de Odin, nos juntamos a ele após a morte. Se somos devotos de Thor ou Freyr, acontece o mesmo.
Odin e Freya são também os deuses da morte, logo é natural que dividam a maioria das almas em suas moradas. São também os deuses mais populares da cosmologia nórdica, juntamente com Thor e Freyr.
Às vezes uma família inteira era devota de um único deus, o que seria natural que todos os ancestrais e parentes se encontrassem após a morte numa mesma morada, ou seja, a morada de seu deus pessoal. Essas crenças variavam de tribo para tribo, por isso a enorme gama de moradas divinas e leis cósmicas de passagem da vida e morte para o pós-morte.
O importante mesmo é entender que além desses conceitos, nomes estranhos e leis cósmicas está o conforto do paraíso que nos recebe. Importante é entender que a morte não é fim, que a alma é imortal. O que acontece é uma transição, uma libertação da condição corpórea para novas obrigações e gozos, pois a vida e a morte fazem parte dos eternos e ininterruptos ciclos da natureza. Tudo sempre se transforma.
Vagner Cruz
Trecho de O Natimorto, de Lourenco Mutarelli
Trecho de diálogo inicial da obra O Natimorto, de Lourenço Mutarelli. Quem não leu, leia! Imediata e desesperamente! O livro é sensacional e já virou filme estrelado pelo próprio autor (no papel de O Agente) e Simone Spoladore (A Voz). É uma narrativa sobre a misticidade atrás dos signos que ilustram aquelas advertências que vêm nos versos dos maços dos cigarros, exatamente como funcionam os arcanos do tarot.
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O Agente — Posso ver?
A Voz — O quê?
O Agente — O maço.
A Voz — Claro.
A Voz — Quer um?
O Agente — Não, só quero olhar a figura.
A Voz — Ah, são horríveis essas imagens.
O Agente — Talvez elas só pareçam horríveis.
O Agente — A Entubada.
A Voz — Que foi que disse?
O Agente — Ah! É, é como eu chamo esta figura aqui.
O Agente — Essa moça na cama de hospital… cheia de
tubos…
A Voz — Já que você quis dar um nome a ela, por que não
lhe deu um nome de mulher? Marta, por exemplo.
O Agente — Marta é um bom nome, já que ela está quase
morta… Ha, ha, ha…
O Agente — Deixa eu tentar me explicar…
O Agente — Eu fumo um maço de cigarros por dia.
A Voz — Eu também, um pouco mais às vezes.
O Agente — Muito bem, essas figuras que eles estamparam
nos maços para nos intimidar me causam uma sensação estranha.
Além de um óbvio desconforto.
A Voz — São horríveis, às vezes eu chego a pensar em parar
de fumar só para evitar esse confronto.
O Agente — Você está certa. Mas, além desse desconforto,
elas me fazem pensar numa outra possibilidade.
A Voz — Qual?
O Agente — Quando eu era criança, morava com uma tia
minha que punha cartas.
A Voz — Sei.
O Agente — Ela lia a sorte em velhas cartas de tarô, sabe?
A Voz — Claro.
O Agente — Pois então: aquelas cartas de tarô me causavam
uma impressão de estranheza, um desconforto, um
quase medo… Eu tinha uma sensação… As figuras daquele
baralho me causavam uma sensação muito semelhante à
que sinto quando contemplo essas figuras de advertência
impressas nos cigarros. Me entende? E aí, como eu ia dizendo,
eu fumo um maço por dia. Então, acho que a imagem
vai prenunciar, de alguma forma, o destino desse dia. Deu
para entender?
A Voz — Nossa! Que ideia fascinante. Mas isso quer dizer
que você, de qualquer forma, só terá dias ruins?
O Agente — Não necessariamente. Por exemplo, no tarô,
a carta sem nome, a carta de número treze que todos chamam
de Morte, tem um aspecto terrível, mas muitas vezes ela pode
representar uma coisa boa. Em contraponto, a carta intitulada a
Casa de Deus ou a Torre pode prenunciar os piores desígnios.
A Voz — Você devia escrever sobre isso.
O Agente — Imagina. Eu não sou um escritor. Sou apenas
um caça-talentos… poderíamos chamar assim.
A Voz — Mas fale mais sobre essa sua ideia. Eu estou realmente
encantada com ela.
O Agente — Vamos nos sentar naquela mesinha. Quer outro
café?
A Voz — Quero.
O Agente — Garçom, traz mais dois cafés. Nós vamos nos
sentar na mesinha ali.
Garçom — Puros?
O Agente — Isso, os dois puros.
Puxo a cadeira para que ela sente.
Ela me olha com um sorriso.
Eu não lembrava que ela era bonita.
Ela, de fato, não tem uma beleza padrão.
Não é do tipo que chame a atenção, mas, a cada minuto
que passa, vai se tornando cada vez mais bela.
O Agente — Onde estávamos?
A Voz — Na “Entubada”.
O Agente — É. Isso.
Rimos.
O Agente — Então, como eu ia dizendo, essas imagens que
os cigarros trazem em suas advertências… me causam o mesmo
estranhamento que os arcanos do tarô. E note que mesmo
as imagens do tarô não deixam de ser advertências.
A Voz — Essa ideia é maravilhosa. Eu ainda acho que você
devia escrever sobre isso.
O Agente — Ora, ora… Eu não sei escrever. Não sou um
escritor.
A Voz — Não seja por isso. Continue.
O Agente — Bom, eu não sei se você sabe… mas o tarô é o
pai do baralho.
A Voz — É?
O Agente — É.
O Agente — Na verdade, os arcanos superiores, que são
as cartas que vão do Mago ao Mundo, ou seja, as cartas que
propriamente antecedem os naipes, ou, de fato, o baralho, nos
contam uma história. Uma história velada.
A Voz — Sério? Elas contam uma história? E qual é a
história?
O Agente — Logo, logo eu te conto.
O Agente — O que eu acho mais relevante é o seguinte:
como a história que o tarô carregava era uma história paralela
de uma sociedade secreta, e, logicamente, proibida e perseguida,
eles inventaram um jogo: o baralho. E inseriram essa
mensagem entre as cartas do jogo para que, dessa forma, sua
mensagem pudesse correr livremente e só fosse percebida pelos
iniciados. Está muito confuso?
A Voz — Não, não. Eu estou realmente fascinada com esse
seu paralelo entre as fotos das embalagens de cigarros e os tais
arcanos do tarô.
O Agente — Que bom.
O Agente — Finalmente encontrei alguém que se interessa
pelas minhas bobeiras.
O Agente — Por falar nisso, a minha esposa insiste para que
você se hospede lá em casa. Nós temos um quarto a mais. É
bem espaçoso e confortável… Era para ser o quarto das crianças,
mas nós nunca as tivemos… Minha esposa não consegue…
você sabe… ela não é fértil.
A Voz — Sinto muito.
O Agente — Tudo bem, nós já estamos casados há sete
anos… Um dia acabo me acostumando com esse feto.
O Agente — Nossa! Eu disse “feto”! Eu queria dizer “fato”.
“Fato” foi o que eu quis dizer, “fato”.
A Voz — Será um prazer ficar na sua casa, longe da frieza
dos hotéis.
O Agente — O prazer será meu. Prazer e honra em hospedá-
la. A Voz da Pureza.
A Voz — Voz da Pureza?
O Agente — É. Foi como eu descrevi sua voz ao Maestro.
A Voz — Que bonito. Fico lisonjeada.
O Agente — Eu é que me encho de orgulho de apresentá-la
ao mundo.
A Voz — Quantos arcanos há nos cigarros?
O Agente — Ah! Sabe que somente ontem eu comecei
realmente a tentar cristalizar essa minha impressão? Assim, de
cabeça, acho que são sete.
O Agente — Tem aquela imagem da mulher grávida; tem a
do homem afrouxando a gravata; tem a do bebê, o Natimorto;
qual mais?
A Voz — A da impotência: é um casal com uma moça bastante
insatisfeita.
O Agente — É verdade, eu tinha me esquecido dessa. Então,
creio que sejam oito.
A Voz — E no tarô, quantos são?
O Agente — São vinte e dois arcanos, contando com a carta
sem número e a carta sem nome.
A Voz — Quer dizer que, além da carta sem nome, que
você acaba de me dizer que é a… a Morte, existe também uma
carta sem número?
O Agente — É. O Louco. A carta do homem que vaga sem
destino… o errante.
O Agente — Mas veja bem: embora muitos coincidam no
aspecto iconográfico, eu não penso que os arcanos dos maços
de cigarros sejam meras transposições. Eu acredito que as
imagens das fotos dos cigarros sejam na verdade prenúncios
de novos arcanos, de novos tempos… Me entende?
True Colors - Cindy Lauper (Letra e Traducao)
Bom, aí segue a letra da música True Colors, de Cindy Lauper, que é simplesmente superação, fala do triste, mas é linda, também encorajadora e deveria ser um hino das minorias, negros, judeus, gays, lésbicas e de todas as pessoas que por serem diferentes do ordinário são violentadas socialmente por um mundo assolado por ódio, hipocrisia e opacidade. Isso muito me lembra aquele bordão de Martin Luther King em sua luta pela justiça, liberdade, igualdade e paz: O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons…
Eu mesmo sou agnóstico, não sei dizer se um deus existe ou não, mas se ele (ou eles - vai saber?!) existir, não acredito que seja aquele delírio na cabeça dos fanáticos, aquele sisudo/cruel/dogmático da bíblia ou aquela entidade cósmica alheia às atrocidades que acontecem o tempo inteiro no mundo. Se existir uma divindade acima (ao lado, abaixo - vai saber?!), certamente é feita de cores, diversidade, aceitação, amor, esperança, paz e sabedoria.
Por isso eu não rezo. Nunca rezo, nem oro. Mas se eu rezasse, eu cantaria essa música, para mim e para aqueles que precisam ouvir.
Cores Reais - Cindy Lauper
Você, com olhos tristes, não fique desanimado.
Oh, eu sei, é difícil ter coragem, em um mundo cheio de pessoas você pode perder tudo de vista e a escuridão dentro de você pode te fazer sentir-se tão insignificante.
Mas eu vejo suas cores reais brilhando por dentro. Eu vejo cores reais e é por isso que eu te amo.
Então não tenha medo de deixá-las aparecerem, suas cores reais. Cores reais são lindas, como um arco-íris.
Mostre-me um sorriso então, não fique infeliz. Não consigo me lembrar quando foi a última vez que vi você sorrindo.
Se este mundo fez você enlouquecer e você suportou tudo que consegue aguentar, me chame. Porque você sabe que eu estarei lá.
E eu vejo suas cores reais brilhando por dentro. Eu vejo cores reais e é por isso que eu te amo.
Então não tenha medo de deixá-las aparecerem, suas cores reais. Cores reais são lindas, como um arco-íris.
Não consigo me lembrar quando foi a última vez que vi você sorrindo.
Se este mundo fez você enlouquecer e você suportou tudo que consegue aguentar, me chame. Porque você sabe que eu estarei lá.
E eu verei suas cores reais brilhando por dentro. Eu vejo cores reais e é por isso que eu te amo.
Então não tenha medo de deixá-las aparecerem, suas cores reais. Cores reais: cores reais são lindas, como um arco-íris.
E eu verei suas cores reais brilhando por dentro. Eu vejo cores reais e é por isso que eu te amo.
Então não tenha medo de deixá-las aparecerem, suas cores reais. Cores reais: cores reais são lindas, como um arco-íris.
Eu acabo de rezar (ops) ler a letra da música (a tradução) e meus olhos já se enchem de lágrimas. Todos iguais, todos diferentes. Aí segue a letra original em inglês para quem quiser cantar bem alto em casa, na rua, baixinho no trabalho, com o fone de ouvido na academia, ou cantar por cantar, ou ouvir por ouvir, ou rezar por rezar.
True Colors - Cindy Lauper
You with the sad eyes
Don’t be discouraged
Oh I realize
It’s hard to take courage
In a world full of people
You can lose sight of it all
And the darkness inside you
Can make you feel so small
But I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that’s why I love you
So don’t be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow
Show me a smile then,
Don’t be unhappy, can’t remember
When I last saw you laughing
If this world makes you crazy
And you’ve taken all you can bear
You call me up
Because you know I’ll be there
And I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that’s why I love you
So don’t be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow
I can’t remember
When I last saw you laughing
If this world makes you crazy
And you’ve taken all you can bear
You call me up
Because you know I’ll be there
And I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that’s why I love you
So don’t be afraid to let them show
Your true colors, true colors
True colors are shining through
I see your true colors
And that’s why I love you
So don’t be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow









